O TRÁFICO DE COCAÍNA NO BRASIL

Nos primeiros cinco meses deste ano, entraram no Brasil quase 400
30931 toneladas de cocaína procedentes da Bolívia, o dobro da quantidade do ano
30931 passado. Esta informação da Polícia Federal, além de indicar o crescimento do comércio da droga produzida no país vizinho-- e facilmente escoada para o mercado exterior, através dos 250 quilômetros da fronteira com o Mato Grosso do Sul--, significa que as autoridades estão perdendo a guerra contra o tráfico, que fatura anualmente US$15 bilhões (Cr$1,3 trilhão, pelo câmbio paralelo). "A Bolívia diz só ter produzido este ano 90 toneladas de cocaína", mas este número é contestado pela Polícia Federal brasileira. "Não passaria de uma tentativa do governo de La Paz para amenizar o impacto da real situação no exterior, principalmente nos EUA". "Cerca de 80% da cocaína boliviana que chega ao Brasil passam por Corumbá (MS), uma cidade com mais farmácias do que açougues. Ali, o comércio de éter e acetona-- matérias-primas para o refino da cocaína-- é intenso e a PF assiste impotente a situações tais como a de uma farmácia que chega a vender 462 litros de acetona por mês. O último estado brasileiro invadido pelo narcotráfico é o Acre, onde as plantações de epadu ameaçam tomar o lugar dos seringais. É lá também que a PF e o Exército confirmaram uma aliança pela qual os traficantes fornecem armas, munição, roupa e alimentos aos terroristas do Sendero Luminoso, recebendo em troca a droga" (O Globo).