VIOLÊNCIA CONTRA CRIANÇAS EM SÃO PAULO

Cinquenta e oito crianças foram estupradas pelos próprios pais ou responsáveis, em São Paulo, nos últimos três anos, conforme os registros do SOS Criança, um serviço da Secretaria Estadual do Menor. Só em maio passado, cinco crianças sofreram algum tipo de abuso sexual. No último dia 20, foi internado em uma casa-abrigo da secretaria o menino G., de dois anos, estuprado dentro de casa, na zona leste, por homens que visitam a mãe. "A violência dentro da família é a que mais vitima as crianças". "É a mais covarde: a criança não tem como pedir socorro". "O abuso sexual é uma marca que dificilmente sai da cabeça da criança, é uma perda irreparável", diz Alda Marco Antônio, secretária do Menor. Das 5.858 denúncias de agressões a crianças recebidas pelo SOS Criança de junho de 1987 a maio passado, 3.755 (64,1%) foram de violência doméstica, em sua maioria espancamentos. Houve 70 mortes. No mês passado, foram registrados 56 denúncias de surras, três de estupro, duas de abuso sexual e 57 de negligência, como deixar de dar remédio ou de cuidar da higiene de uma criança doente. A incidência da violência física e sexual na família é muito grande,
30922 e atinge todas as classes, da mais pobre à mais abastarda. ""Da classe média para cima, aparece menos, fica mais camuflada", diz Ademir de Carvalho Benedito, juiz de menores do Fórum Regional de Pinheiros (zona oeste) (FSP).