Ao condenar o candomblé e a umbanda, no início de junho, como práticas mágicas e supersticiosas, quando se dirigiu a um grupo de bispos do norte do Brasil em visita ao Vaticano, o papa João Paulo 2o. causou mal-estar entre os religiosos negros do Rio de Janeiro que vêm se destacando na introdução de ritos africanos nas missas. Essa semana, os padres negros da Baixada Fluminense assumiram duas posições: um grupo pensa em abandonar a Igreja, enquanto outro prefere continuar lutando para garantir espaço da cultura negra na Igreja Católica. O documento "Papa condena ritos afro-brasileiros", assinado por sete religiosos negros da Baixada Fluminense, revela que existe uma luta ideológica na Igreja brasileira na qual o papa é usado para atacar os progressistas. O documento assinala que essa crítica aos cultos afro não é casuística e visa atingir, principalmente, a caminhada dos negros católicos que têm introduzido elementos da cultura negra na liturgia. O líder da Comissão de Padres, Seminaristas e Religiosos Negros, frei David Raimundo dos Santos, explica que os discursos do papa após as visitas de religiosos brasileiros não são preparados por ele, e sim pela assessoria de João Paulo 2o., em conjunto com o cardeal representante dos religiosos visitantes. "Ou seja, o cardeal e assessoria preparam o que vai para a boca do papa e depois é divulgado pelos meios de comunicação", revela (O Dia).