A organização Anistia Internacional, sediada em Londres (Inglaterra), mencionou o Brasil esta semana em dois documentos: primeiro, em um informe intitulado "Tortura e execuções sumárias nas zonas urbanas no Brasil", acusa a "prática sistemática de torturas e brutalidades policiais no país, onde as atividades dos esquadrões da morte seguem praticamente impunes". O relatório se refere ao período 85/90. A Anistia acusa os governos dos estados de Incentivar as polícias a passar por cima das leis, quando deixam de punir os responsáveis por assassinatos ou torturas". A segunda trata da questão da terra. Os governadores do Pará, Hélio Gueiros, e do Maranhão, João Alberto de Souza, receberam comunicação por escrito da Anistia Internacional para que atuem com maior rigor no combate aos assassinatos na luta pela posse da terra, que só este ano provocou 18 mortes. Outro ponto do relatório é um estudo da Polícia Civil do Rio de Janeiro, no qual estima-se que 30% dos assassinatos de menores em 1989 no estado foram praticados por esquadrões da morte. "Eles atacam grupos vulneráveis como crianças, adolescentes e negros e são constituídos basicamente por policiais", diz o documento da Anistia Internacional. A morosidade na execução da reforma agrária no atual governo tem
30683 acirrado a luta no campo pela posse da terra, afirma o secretário- executivo da CPT (Comissão Pastoral da Terra), Jerônimo Nunes. Segundo ele, somente no Pará, este ano, já foram assassinados oito trabalhadores rurais e não há sequer um pistoleiro preso. Ele disse que mais de 1,5 mil trabalhadores rurais foram assassinados de 1964 a 1990, e que "não há um só fazendeiro punido como mandante de assassinato de posseiros" (JB) (O ESP).