CERCA DE UM MILHÃO DE TRABALHADORES EM GREVE

Cerca de um milhão de trabalhadores em todo o país estão em greve. As paralisações são por tempo indeterminado e o pedido em comum em todas é a reposição das perdas salariais de março e abril, calculadas pelo DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos) em 166,89%. Essas greves substituem a greve geral convocada-- e depois adiada-- pela direção nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores). O movimento transformou-se num protesto nacional contra as perdas salariais e as demissões motivadas pela reforma administrativa do governo. Foi o seguinte o dia da greve nos principais estados: Rio de Janeiro-- a greve dos bancários teve pouca adesão e não foi registrado incidente. A FEBRABAN (Federação Brasileira das Associações de Banco) não reconheceu a greve. Os servidores da UFF (Universidade Federal Fluminense) e do DNER (Departamento Nacional de Estradas de Rodagem) entraram em greve. São Paulo-- cerca de 310 mil trabalhadores estavam em greve ontem, principalmente no setor metalúrgico. Além disso, a greve atinge também o setor de saúde e o da entrega de gás. Em São Bernardo do Campo, a greve levou a Ford a paralisar sua linha de montagem. A greve dos bancários atingiu cerca de 48 mil trabalhadores na capital paulista e 30 mil no interior. Brasília-- metade dos bancários da rede privada não compareceu ao trabalho. No serviço público, a greve foi atropelada pela Polícia Militar, que impediu a saída dos carros de som do sindicato. Os servidores da UnB (Universidede de Brasília) aderiram à paralisação. O presidente interino do Sindicato dos Servidores Públicos Federais do Distrito Federal, Francisco Machado, foi preso quando começava a convocar os trabalhadores para a greve. Somente no início da tarde o sindicalista foi liberado. Rio Grande do Sul-- além dos 600 juízes da Justiça estadual, mais 11 categorias estão em greve no estado, totalizando cerca de 350 mil trabalhadores. A Brigada Militar reprimiu com violência a ocupação da agência do Bradesco no centro de Porto Alegre. Vários bancários ficaram feridos e uma bomba de gás lacrimogênio foi jogada dentro da agência. Maranhão-- sete categorias suspenderam o trabalho no estado: metalúrgicos, operários da construção civil, motoristas de ônibus, comerciários, professores, funcionários da Universidade Federal do Maranhão e professores das escolas particulares. Minas Gerais-- apenas algumas fábricas de pequeno porte aderiram à greve. Cerca de 2,7 mil trabalhadores pararam. Pernambuco-- cerca de 120 mil trabalhadores pararam no estado. Espírito Santo-- Aproximadamente 30 mil trabalhadores estão em greve no estado. Os professores da rede estadual, com adesão de 18 mil de um total de 20 mil, entram hoje no 13o. dia da paralisação. Paraná-- cerca de 1,4 mil eletricitários de Itaipu aderiram ontem à greve. A paralisação atinge também FURNAS e as quatro sub-estações da ELETROSUL (JB) (FSP) (GM) (O Globo).