SEM-TERRA COBRAM REFORMA AGRÁRIA

O governo Collor ainda não iniciou seu plano de reforma agrária. A morosidade preocupa, sobretudo, os setores da sociedade engajados na luta pelo fim dos conflitos no campo, como o Movimento dos Sem-Terra e a CPT (Comissão Pastoral da Terra). "Repassar a tarefa de indicar área e família aos sindicatos rurais é uma forma de fugir da responsabilidade", critica o presidente da CPT, bispo Augusto Rocha. O ministro da Agricultura, Antônio Cabrera, diz que ainda não deu início à reforma agrária no Pará, por exemplo, porque não recebeu até agora a relação das famílias e das áreas selecionadas pela CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura) e dos sindicatos de trabalhadores rurais do sul do estado. O primeiro assentamento de colonos no governo Collor será feito na área denominada Boca do Cardoso, no Município de Curionópolis, marcada por conflitos pela posse da terra. O presidente da CONTAG, Aloísio Carneiro, contesta. Segundo ele, "o ministro Cabrera se comprometeu a mandar equipes do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) para o sul do Pará a fim de fazer o levantamento das áreas e não mandou coisa nenhuma". Aloísio Carneiro diz que "é muito fácil para o ministro jogar a culpa nos outros, mas até agora ele não anunciou qual o plano de reforma agrária que o governo pretende realizar" (JB).