AS PERDAS SALARIAIS NO GOVERNO COLLOR

Os trabalhadores que, desde sua data-base, só tiveram reajustes pelo IPC (Índice de Preços ao Consumidor), chegaram ao final de março com perdas entre 17% e 60%, provocadas pela inflação anterior ao Plano Collor. A informação faz parte de um estudo do Ministério do Trabalho e Previdência Social. O estudo avalia ainda que, para os empregados da indústria paulista, o Plano Collor representou em março uma perda de 4,5% ou um ganho de 52%, dependendo da forma como o trabalhador gasta seu salário. A disparidade entre os índices encontrados pelo Ministério tem o mesmo motivo que a discussão entre o governo e sindicatos a respeito das perdas e ganhos nos salários. Em lugar de optar por um dos métodos de calcular a variação dos salários, o Ministério calculou e registrou três formas de medir a perda-- ou ganho-- do poder de compra. Em qualquer delas os salários passaram a perder depois de março à medida em que permaneceram congelados e a inflação continuou subindo. Para recompor as perdas sofridas desde a data-base, até março os trabalhadores que, no ano passado, só tiveram reajustes salariais pelo IPC, teriam de receber reajustes entre 20,9% e 151,6%, dependendo de sua data-base, segundo registra o estudo do Ministério do Trabalho e Previdência Social (FSP).