A SITUAÇÃO DO NORDESTE

O nordeste com seus 1,6 milhão de quilômetros quadrados de área, apontado em todos os relatórios oficiais como o maior bolsão de pobreza do país e sem contar, ainda, com uma política de desenvolvimento definida, vem apresentando índices de crescimento. Os projetos de irrigação-- nos semi-áridos de Pernambuco, Ceará e Piauí-- e a industrialização, à beira de seus 36.325 quilômetros de estradas asfaltadas, se traduzem em números. De 1960 a 1989, a renda per capita do nordestino evoluiu 441%, contra 357% da brasileira, e o PIB (Produto Interno Bruto) regional cresceu 498,8% contra 414% do nacional, mantendo média anual de crescimento de 6,6% contra 6,2% no Brasil. O nordeste só não cresceu mais que o país entre 1968 e 1973, durante a época do chamado milagre econômico. Essas informações constam do estudo "Novos rumos para a economia do Nordeste", preparado pelo escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), órgão do BNB (Banco do Nordeste do Brasil), com o objetivo de traçar políticas de aplicação do Fundo Constitucional de Desenvolvimento do Nordeste (FNE), que foi criado em 1988, com a nova Constituição. As três décadas da política de desenvolvimento para o nordeste-- que começou em 1959, com a criação da SUDENE (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste)-- "serviram para reduzir a contribuição percentual da região na incidência da pobreza brasileira, mas não em escala suficiente para que a área perdesse essa liderança entre as cinco regiões que compõem o país: se a fatia nordestina no bolo da pobreza nacional era de 48,3% em 1960, caiu para 38,9% em 1988". Mesmo assim, "o nordeste-- que tem apenas 30% da população nacional-- continua liderando o ranking da miséria nacional, que está distribuído assim: 37,7% no sudeste, 14,1% no sul, 6,6% no centro-oeste e 2,7% no nordeste. Embora os números do desempenho da economia regional pareçam animadores,
30576 ainda não são suficientes para apagar a miséria a que estão relegados
30576 56% da população nordestina, estimada em 41 milhões de habitantes. Pelo
30576 menos 42% da força de trabalho nordestina ainda recebem menos de um
30576 salário-mínimo. Pelo menos nove milhões de nordestinos, com idade
30576 superior a 10 anos, e que compõem o universo daquilo que os economistas
30576 chamam de pessoas com renda positiva"", vivem abaixo da linha da pobreza: na miséria absoluta. A esperança de vida dos nordestinos ao nascer aumentou de 43,5 anos em 1960 para 51,5 anos em 1980. Mas, no Brasil, ela era de 52,4 anos e 60,1 anos nos mesmos períodos estudados. A mortalidade infantil da região também caiu. De 154,9 por mil nascidos vivos em 1960, passou a 121,4 em 1980. O nordeste continua, no entanto, na liderança das taxas de mortalidade infantil, não só em relação às outras regiões, como no Brasil, onde elas eram de 118,1 em 1960 e passaram a 97,9 em 1980. O nordeste lidera, ainda, os maiores índices de analfabetismo: 40% de sua população com mais de 15 anos não sabem ler" (JB).