Para os sindicalistas, a decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) de suspender os efeitos da medida provisória no. 190 representou a afirmação do respeito à Constituição e a necessidade de o governo discutir critérios alternativos de reajuste salarial. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, Luiz Antônio Medeiros, disse que "a Constituição foi resgatada". Para ele, cabe agora ao governo propor uma lei salarial "razoável, baseada no bom senso". O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Jair Meneghelli, afirmou que a concessão da liminar contra a 190 foi uma demonstração de independência do Poder Judiciário. "Não deixa de ser um troco ao governo, que por diversas vezes passou por cima do Judiciário e do Legislativo", disse. O presidente da CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores), Francisco Canindé Pegado, afirmou que a liminar não altera as dificuldades enfrentadas pelos sindicatos na ausência de uma política salarial. "O trabalhador não tem referencial para reposições", disse. O presidente da FEBRABAN (Federação Brasileira das Associações de Bancos), Léo Wallace Cochrane Jr., disse que "a decisão pode minar o Plano Collor". Segundo ele, "se isso acontecer, não é o governo que perderá, mas todos nós". "É impossível ter aumentos salariais de 166%, pois a inflação dispararia inevitavelmente", disse. O diretor da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo), Einar Kok, também vê o fim do plano com a decisão do STF: "o repasse imediato das decisões dos tribunais regionais do trabalho ameaça o plano em suas bases". Ninguém vai conseguir segurar os aumentos. Inevitavelmente, a indústria vai repassar os aumentos para os preços", afirmou (FSP) (GM).