Cerca de 500 famílias de sem-terra ocuparam ontem o local conhecido como Cinturão Verde, na área do Projeto Carajás, da CVRD (Companhia Vale do Rio Doce), no sul do Pará, que a estatal preservou para futuras pesquisas de minerais. Os colonos estão dispostos a continuar lá até que o governo defina uma nova área para assentamento. Nos meses de março e abril houve ensaios da ocupação, mas a segurança da CVRD conseguiu impedir. Houve pelo menos um confronto entre os homens da segurança da empresa e os sem-terra, que resultou em uma morte. A situação agora está mais grave e o presidente da Câmara Municipal de Parauapebas, José Dionísio dos Santos (PTB), acusa o prefeito do município, Faisal Salmen (PSDB), de estar estimulando os posseiros ao confronto. Um dirigente da Vale, Ricardo Dequeche, também admitiu a gravidade do problema e informou que a companhia já pediu à Justiça de Marabá que determine a retirada dos posseiros. Cerca de 200 colonos estão armados com espingardas calibre 20 e já conseguiram desestimular qualquer ação da segurança da companhia. Enquanto aguardam uma decisão, as famílias estão plantando feijão, arroz e milho e construindo barracos na área que batizaram de "Vila União Marcos Freire", em homenagem ao ex-ministro da Reforma Agrária morto em um acidente de avião em Carajás, em setembro de 1988 (JB).