A POLÍTICA SALARIAL DO GOVERNO COLLOR

O presidente Fernando Collor pediu ontem a seus ministros e líderes dos partidos que apoiam o governo que encontrem uma fórmula de acordo para a reposição dos salários que não signifique a volta de um índice de reajustes para toda a economia. O ministro do Trabalho e Previdência Social, Antônio Rogério Magri, informou que o governo não fixará índice e manterá a livre negociação. Segundo as informações, o governo insistirá na livre negociação salarial porque aposta na manutenção do poder de compra do trabalhador com a queda dos preços nos supermercados de pelo menos 22 produtos (14 itens de alimentação e oito de limpeza), que passará a vender na sua rede de abastecimento a partir de junho. Os produtos terão preços 30% inferiores aos dos vendidos nos supermercados. A nova política salarial começa a ser discutida hoje pelo ministro da Justiça, Bernardo Cabral, com a ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, Magri e políticos. Seus assessores disseram que Magri insistirá na correção dos salários de maio pelo índice de 3,29%-- inflação apurada em abril, em São Paulo, pela FIPE (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) (JB).