POLÍTICOS NORDESTINOS DESRESPEITAM CONSTITUIÇÃO

Desde a Bahia até o Maranhão, deputados e senadores de Estados nordestinos são proprietários ou diretores de empresas que recebem recursos quase a fundo perdido através do Fundo de Investimentos do Nordeste (FINOR), administrado pela SUDENE (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste), embora a Constituição proíba expressamente tal prática. A irregularidade envolve deputados federais, senadores, deputados estaduais (PDS, PFL e PMDB) e até governadores, como Luís Rocha (Maranhão) e João Alves (Sergipe), além do ex-governador do Ceará Adauto Bezerra. A primeira denúncia sobre a participação de políticos em projetos da SUDENE surgiu em 1980, durante uma polêmica entre o falecido senador Nilo Coelho, de Pernambuco, e o atual ministro das Comunicações, Antônio Carlos Magalhães, que acusou Nilo de receber mais dinheiro. Entre os senadores beneficiados com projetos catalogados nos livretos do BNB (Banco do Nordeste do Brasil) estão Albano Franco (PFL-SE), vice-presidente da Fiação e Tecelagem Nordeste S/A; João Lobo (PFL-PI) e Carlos Lyra (PFL-AL). O senador Milton Cabral (PFL-PB) é conselheiro e acionista da Maguary Agrícola S/A e o senador Marcondes Gadelha, também do PFL paraibano, é um dos proprietários da Fazendas Reunidas José Gadelha, pertencente a sua família (JB).