Na segunda entrevista coletiva depois da posse, o presidente Fernando Collor assumiu ontem os erros de seus ministros e secretários e garantiu que não haverá mudanças na equipe. "Todos eles permanecem dentro da estrutura administrativa até o último dia do meu governo", afirmou. Collor atribuiu os erros à pressa exigida pelo calendário das reformas, e arrematou: "Se erros estão acontecendo, fui eu que os cometi e não os meus ministros ou secretários de governo". O presidente prometeu ainda uma legislação que proteja o trabalhador na livre negociação salarial. A recente crise ocorrida entre os militares, segundo o presidente, não teve grande importância e terminou sendo resolvida dentro do próprio Ministério do Exército. Para Collor, os militares devem ficar restritos a cumprir o papel constitucional e está praticamente descartada a possibilidade de nova crise no setor. Ao falar da dívida externa, o presidente repetiu o que vem dizendo desde que tomou posse, que é a disposição de pagar aos credores somente o dinheiro que exceder ao necessário para o crescimento econômico brasileiro. Nas relações internacionais, segundo Collor, seu governo terá como uma de suas prioridades a integração política latino-americana, iniciada com a decisão, já tomada, de construir uma ponte ligando São Borja (RS) a Santo Tomé, na Argentina (JB) (FSP).