O governo brasileiro vai utilizar o acordo com o FMI (Fundo Monetário Internacional) para tentar impor um limite de pagamento de juros aos bancos credores privados este ano. A equipe de negociação quer mostrar aos banqueiros que, para atingir o superávit nas contas públicas de 2% do PIB (Produto Interno Bruto), a ser incluído no acordo com o FMI, terá de limitar a remessa de juros ao valor que será fixado no Orçamento da União deste ano. Hoje, em Nova Iorque (EUA), a ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, e o negociador oficial da dívida, embaixador Jório Dauster, iniciam as negociações com seis dos principais bancos credores brasileiros. Eles vão dizer aos banqueiros que, depois da edição do Plano Collor, o pagamento de juros passou a depender do superávit público, porque o governo não pode mais fazer uso dos instrumentos tradicionais para adquirir dólares para pagamentos de juros: emissão de moeda e de títulos públicos. Emitir moeda traria claras pressões inflacionárias, o que contribuiria para corroer as finanças públicas. O lançamento de títulos reduziria diretamente a meta que o governo pretende obter (FSP).