De acordo com um relatório confidencial do BIRD (Banco Mundial), que emprestou US$304,5 milhões dos US$4,5 bilhões gastos na construção do Projeto Carajás, a CVRD (Companhia Vale do Rio Doce) superestimou as previsões de exportação. Acreditava-se que, hoje, cerca de 35 milhões de toneladas de ferro poderiam estar sendo escoadas anualmente de Carajás, com base num preço de US$35,4 por tonelada, mas a empresa está colocando no mercado internacional menos de 30 milhões de toneladas, ao preço de US$16,2 por tonelada. O relatório do BIRD revela que a CVRD errou ao projetar as condições do mercado internacional do minério de ferro, que se deteriorou largamente ao longo dos anos 80. Por isso, segundo o BIRD, "a operação Carajás não pode ser presentemente julgada como um projeto bem- sucedido". Em diversas partes do relatório, o BIRD demonstra sua confiança nos trabalhos da CVRD, mas sugere que outros organismos do governo brasileiro não têm o mesmo nível de eficiência, o que transforma o futuro ambiental do país num risco. A instituição, contudo, não lançou toda a culpa sobre o governo, assumindo parte da responsabilidade pelas distorções encontradas no Programa Grande Carajás, principalmente quanto ao tratamento dado aos índios da região. "Uma significativa burocracia e obstáculos políticos continuam impedindo a rápida demarcação das reservas indígenas", diz o documento. O BIRD também critica a forma como se promove a industrialização do chamado "corredor" de Carajás (JB).