IGREJA MONTA EM TRÊS ANOS ESTRATÉGIA CONTRA SEITAS

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) estipulou um prazo de três anos para decidir o que a Igreja Católica pode fazer frente ao crescimento das seitas evangélicas no país. O assunto foi discutido no início do mês na 28a. assembléia da entidade, que mantém um grupo de especialistas estudando a questão. "A Igreja sempre se mexeu devagar nas suas mudanças ao longo da história, mas a velocidade com que essas seitas crescem no Brasil-- praticamente dobraram o número de seus adeptos na última década-- torna a reação uma operação cada vez mais complexa à medida que o tempo passa". Segundo o assessor de imprensa da CNBB, monsenhor Arnaldo Beltrame, as seitas exploram a figura do demônio como causador de todos os males, alienando os seguidores. Para ele, a Igreja deve "colocar o demônio em seu devido lugar", procurando "conscientizar os fiéis de sua real condição na sociedade". Talvez sejamos muito lerdos para aproveitar o potencial de comunicação de
30085 massa que é o forte dessas seitas, admite o pastor luterano Godofredo Boll, secretário-geral do Conselho Nacional das Igrejas Cristãs (CONIC). Essa entidade congrega as igrejas protestantes tradicionais e a católica romana. "Nós não temos uma receita, temos que procurar onde falhamos", afirma Boll, que classifica uma "reevangelização do povo" como "a grande tarefa desse final de século" (FSP).