A PESQUISA DO IBGE SOBRE ANALFABETISMO

Dos 31.417.366 de analfabetos com mais de cinco anos de idade identificados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 59% (18.827.929) são negros e pardos. Somados, os negros e pardos não alcançam o número de brancos existentes no país, de acordo com o trabalho do IBGE. A pesquisa mostra informações apuradas em 1987. São cinco volumes, dos quais um ainda não está pronto, que abordam números relacionados às raças que habitam o Brasil. O trabalho faz parte da Pesquisa Nacional de Amostra de Domicílio (PNAD), feita anualmente. Os números divulgados são projeções do que foi coletado entre 27 de setembro e 3 de outubro de 87, em visitas a 8.628 casas de todo o país. Pelo que se apurou, os negros e pardos são os menos assistidos pelo setor educacional. O IBGE classifica como pardos os mulatos, índios, mamelucos (branco com índio) e cafuzos (negro com índio). Os amarelos representam 0,65% (900.551) da população. Desses, 108.404 são analfabetos. O IBGE mostra que em 87 havia no país 78.346.226 brancos (38.105.491 homens e 40.240.735 mulheres), 7.708.875 negros (3.847.309 homens e 3.861.566 mulheres) e 51.544.777 pardos (25.623.681 homens e 25.921.096 mulheres). Somados com os amarelos, negros e pardos chegavam a 60.154.203. A população total projetada era de 138.500.429. Dos analfabetos brancos (12.481.033), 5.858.354 eram homens e 6.622.679, mulheres. Os pardos não alfabetizados somavam 16.386.288, dos quais 8.321.523 homens e 8.064.765 mulheres. A relação de negros analfabetos era de 1.183.537 homens e 1.258.104 mulheres. O trabalho do IBGE não questiona as causas da existência de um maior número de analfabetos entre raças que, mesmo somadas, não conseguem fazer a maioria da população. Há dados, porém, que indicam onde o analfabetismo era maior e quais raças atingia mais. Na região sudeste, havia 4.335.115 de analfabetos entre os 41.078.188 de brancos identificados, o que dá algo em torno de 10,5%. Entre os pardos, a porcentagem de analfabetos crescia para 21,12%. No sudeste, existiam 16.185.298 pardos, sendo que 3.418.907 não sabiam ler nem escrever. Entre os negros, os números são ainda mais indicativos das diferenças sociais entre as raças estabelecidas em estados da região sudeste. Dos 4.149.775 negros, 2.778.892 eram analfabetos. É o mais alto percentual registrado na área: quase 67%. O volume não-publicado pelo IBGE refere-se as dados apurados no nordeste. Os números da área integram a publicação com os números nacionais, mas não estão discriminados. Em Roraima, Amapá, Acre, Amazonas, Pará e Rondônia só foram pesquisadas as áreas urbanas dos municípios. A pesquisa indica também que os brancos eram melhor remunerados que os negros e pardos. Enquanto 12,3% dos negros com mais de dez anos de idade recebiam renda mensal inferior a meio salário-mínimo, os brancos na mesma situação, eram 7,1% de seu total (60.007.633). Os números sobre os pardos são quase iguais aos dos negros. Dos 37.525.503 pardos maiores de dez anos existentes no país, 4.314.701 (11,5%) ganhavam menos da metade do mínimo. Os amarelos (pequena parcela da população) eram mais mal pagos que os brancos-- 7,5% dos 727.442 amarelos com mais de 727.442 amarelos com mais de dez anos recebiam até meio salário. Entre as mulheres a situação é mais grave. As negras que ganham até meio salário eram 14,6% das 3.066.874 com mais de dez anos registradas pela pesquisa. Das 19.033.342 pardas relacionadas, 13,8% (2.628.067) não chegavam a receber por mês a metade do mínimo. O percentual de brancas indicado era de 8,7% (2.707.218 das 31.108.366) (FSP).