MERCADO FINANCEIRO PROTESTA CONTRA NORMAS DOS CPS

A regulamentação dos Certificados de Privatização (CPs) desagradou os diversos segmentos do mercado financeiro. Na opinião dos principais líderes do setor, os CPs vão inviabilizar o mercado acionário, provocar a quebra de corretoras, reduzir as opções de financiamento do setor produtivo e de qualquer tipo de crédito e resultar em grande transferência de recursos da sociedade para o Estado, culminando na recessão. Este foi o tom do 1o. Simpósio de Avaliação do Plano de Estabilização Econômica, organizado pela Câmara dos Deputados. "Foi uma grande decepção", disse o presidente da BVRJ (Bolsa de Valores do Rio de Janeiro), Francisco Dantas, sobre a forma em que os CPs foram regulamentados, "sem ouvir os segmentos envolvidos". Para o presidente da FEBRABAN (Federação Brasileira das Associações de Bancos), Léo Wallace Cochrane Jr., os CPs inviabilizam qualquer tipo de privatização. O vice-presidente do IBMEC (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais), Paulo Guedes, propôs que em vez dos CPs, o governo efetuasse o programa de privatização em cruzados novos. Segundo ele, existem cerca de NCz$100 bilhões bloqueados, enquanto o patrimônio das estatais privatizáveis corresponde a NCz$55 bilhões. Desta forma, disse, o governo devolveria o dinheiro bloqueado a um custo menor (FSP).