CUT ESTUDA PROPOSTA DE GREVE GERAL

O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Jair Meneghelli, disse ontem, em São Paulo, que a central está discutindo a realização de uma greve geral no país. Segundo ele, o risco de demissões e redução de jornada e salários aliado à queda da credibilidade do Plano Collor está fazendo com que os trabalhadores reajam. "Há um clima para se discutir uma greve geral hoje", disse. O presidente da CUT considerou um "absurdo" o governo não definir a prefixação de salários e estabelecer a "livre negociação". Em sua opinião, não pode haver livre negociação enquanto "existir um aparato jurídico e policial para proteger o capital". Meneghelli disse que sempre defendeu a não-interferência do governo nas negociações salariais. "Mas tem que ser em todos os aspectos", afirmou. Ele criticou o governo por acabar com a política salarial conquistada na Constituição, por instituir a prefixação e finalmente eliminá-la. Para ele a livre negociação estipulada pelo governo é apenas uma expressão. "Há um esquema repressivo contra os salários que protege o capital", afirmou. O presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo e da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos, Luiz Antônio de Medeiros, disse que "é a lei da selva em cima dos trabalhadores" a nova política salarial do governo. Para ele, a livre negociação só é válida para épocas de normalidade econômica, "o que não é o caso atual do país". "Com essa profunda recessão e com esse desemprego, é claro que os sindicatos não terão fogo para bancar a livre negociação com os patrões", afirmou Medeiros. O sindicalista disse que o Congresso Nacional precisa aprovar uma legislação salarial de emergência para proteger os trabalhadores durante o período recessivo da economia. Medeiros pediu também a demissão da ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello. Para seu lugar, o sindicalista sugeriu o economista Luís Gonzaga Belluzzo, secretário estadual do governo Quércia (SP). E disse que não rejeita de todo o nome do deputado federal Antônio Delfim Netto (PDS/SP), "que tranquilizaria o empresariado" (FSP).