A reforma agrária do governo Collor vai começar pelo norte do Tocantins, sudoeste do Maranhão e sul do Pará, na conflitada região do Bico do Papagaio, marcada pela forte influência da ala "esquerda" da Igreja Católica e da CPT (Comissão Pastoral da Terra). O ministro da Agricultura e Reforma Agrária, Antônio Cabrera, determinou aos técnicos do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) que verifiquem In loco" a situação da área conhecida como Boca do Cardoso, no Tocantins, para constatar se ela é cultivável. Após este levantamento, o ministro pretende ir à área, ainda este mês, entregar os primeiros títulos definitivos de terra expedidos pelo governo Collor. De 1964 a 1989, foram assassinadas na região do Bico do Papagaio 378 pessoas. "O ministro Cabrera pretende depolitizar a reforma agrária e, para isso, os sindicatos de trabalhadores rurais terão a responsabilidade de indicar as áreas a serem desapropriadas e fazer a relação das famílias que deverão ser assentadas", disse um assessor do ministro da Agricultura e Reforma Agrária (JB).