Cerca de 3500 mulheres brasileiras, entre elas 7 meninas com menos de 14 anos, estão servindo de cobaias nos testes do contraceptivo Norplant, cujas pesquisas já foram desaconselhadas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e proibidas pelo Ministério da Saúde. Uma das vítimas, residente na cidade satélite do Gama, no Distrito Federal, perdeu o controle da menstruação, está com bronquite asmática, e foi proibida de amamentar sua filha de 6 meses. Segundo as informações, as pesquisas sobre os efeitos do Norplant em mulheres brasileiras, proibidas pelo Ministério da Saúde em 22 de janeiro último, estão sendo coordenadas pela Cemicamp, um centro de pesquisas médicas da Universidade de Campinas (UNICAMP), em São Paulo, que controla 21 clínicas de assistência materno-infantil. Essas clínicas já implantaram o Norplant, de julho de 1984 a fevereiro deste ano, além das 7 meninas com menos de 14 anos, em 18 mulheres com idade não registrada; 301 adolescentes entre 15 e 19 anos, 1231 mulheres entre 20 e 24; 1233 entre 25 e 29; 562 entre 30 e 34 e 152, entre 35 e 39 anos. Oito aplicações foram em mulheres com mais de 40 anos de idade. Para que o Norplant seja aplicado nos EUA é exigido que a paciente assine um termo de "Consentimento Esclarecido". No Brasil, para burlar as dificuldades que teriam na aceitação do produto entre as mulheres de baixa renda, os médicos exigem que elas subscrevam um "Termo de Responsabilidade", o que os exime de culpa pelas lesões causadas com o anticoncepcional proibido (JB).