Quatorze entidades civis de Rondônia-- sindicatos de trabalhadores rurais, grupos ambientalistas e indigenistas-- enviaram cartas de protesto ao presidente do BIRD (Banco Mundial), Barber Conable, em Washington (EUA), criticando a falta de participação no planejamento do Plano Agropecuário e Florestal de Rondônia (Planafloro), que o banco pretende financiar com um empréstimo de US$230 milhões. Um relatório do BIRD ("Country Department 1 Memorandum", de 26/01/90) anuncia a participação de sindicatos, comunidades indígenas e seringueiros na discussão do plano. Mas algumas das entidades citadas não existem. Não existe o Sindicato dos Produtores Rurais de Rondônia. Não existe a Associação dos Seringueiros do Vale do Guaporé; houve, apenas, uma tentativa de fundá-la. O Sindicato dos Seringueiros de Guajará-Mirim não existe; existe, sim, uma Comissão Municipal de Seringueiros de Guajará-Mirim. Tampouco existe a Associação das Nações Indígenas de Rondônia; existe a União das Nações Indígenas, de Rondônia, que não foi consultada. O documento do BIRD cita ainda a participação da Associação dos Soldados da Borracha e Seringueiros de Rondônia na discussão do Planafloro, mas o grupo, fundado para reivindicar aposentadorias do Funrural, praticamente não congrega seringueiros na ativa e sim ex-soldados da borracha dos anos 40. Por sua vez, a Federação de Agricultores de Rondônia, que enviou carta de apoio ao Planafloro, congrega os sindicatos rurais patronais do estado, quando os beneficiários nominais do Planafloro são colonos, seringueiros e índios. Segundo a carta enviada ao BIRD pelo Instituto de Pré-História, Antropologia e Ecologia, um levantamento junto a entidades de Rondônia revelou que "realmente houve uma grande falta de participação efetiva de organizações não-governamentais durante o planejamento do Planafloro e, ao mesmo tempo, grande interesse por parte dessas entidades em discutir esse projeto". Para o grupo, há erros graves na formulação do plano e a população do estado praticamente o desconhece. O Planafloro visa ordenar o espaço físico de Rondônia de acordo com o zoneamento agroecológico (já conhecido) e orientar o seu desenvolvimento. Divide as terras do estado em seis zonas específicas para desenvolvimento agrícola, extrativismo, preservação florestal e reservas indígenas, beneficiando, no papel, dois mil seringueiros, quatro mil índios e 52 mil famílias de colonos (FSP).