O governo federal não desapropriará terras, para fins de reforma agrária, que tenham sido ocupadas ou estejam em conflito, para impedir assim o fortalecimento dos movimentos de trabalhadores rurais sem-terra que usam como arma de pressão a ocupação de latifúndios. "Essa prática foi exercida com frequência no governo Sarney, que prometeu assentar um milhão de famílias e só conseguiu beneficiar 89 mil, segundo dados do INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária)". Estas afirmações foram feitas ontem, em Campo Grande (MS), pelo ministro da Agricultura, Antônio Cabrera. Ele disse que grande parte das terras desapropriadas por ocupação ou por conflitos, durante o governo anterior, não são agricultáveis. "Queremos promover uma reforma agrária sem briga judicial, através da transparência com produtores e trabalhadores rurais", prometeu ele. Segundo Cabrera, existem hoje 20 milhões de hectares de terras desapropriadas que não servem para a exploração agrícola, causando o êxodo rural já constatado dentro dos próprios projetos de assentamento existentes. Em Brasília, o secretário da Receita Federal, delegado Romeu Tuma, disse que o órgão já tem a lista dos latifundiários que sonegaram ITR (Imposto Territorial Rural). Segundo ele, chega a US$150 milhões a dívida de grandes proprietários de terras com o fisco. "Vamos trabalhar em cima daqueles que nunca pagaram e deixaram de cumprir suas obrigações sociais", prometeu ele (JB).