SEM-TERRA ENTREGAM REIVINDICAÇÕES A MINISTRO DA AGRICULTURA

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra encerrou ontem o seu II Congresso Nacional com uma passeata que reuniu cerca de cinco mil pessoas na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, e com a elaboração de uma lista de reivindicações entregue ao ministro da Agricultura, Antônio Cabrera. Entre elas, está o atendimento de emergência às 89 mil famílias residentes nos 585 assentamentos promovidos pelo governo; a suspensão das ações de despejo contra posseiros e pequenos proprietários; desapropriação de todos os terrenos-- de um total de 4,6 milhões de hectares-- com processos parados na Justiça; e distribuição aos colonos das áreas confiscadas pelo cultivo de plantas entorpecentes. Além disso, exigem das autoridades uma definição sobre a política agrária. Os sem-terra deram prazo de 60 dias para que o governo inicie a reforma agrária nos 2,7 milhões de hectares que foram desapropriados com essa finalidade. Após esse período, a liderança dos sem-terra previu a retomada das ocupações de áreas ociosas em todo o país. O ministro não fez nenhuma promessa aos sem-terra, disse, apenas, que o governo pretende fazer, ainda este ano, o cruzamento das declarações do Imposto de Renda com as dos impostos territoriais, com o objetivo de identificar as fraudes e os sonegadores dos tributos (JB) (JC) (FSP).