O presidente Fernando Collor vai cortar 354.192 funcionários-- quase a população da cidade de Londrina (PR)-- da administração federal. Collor reuniu o ministério no Palácio do Planalto, ontem, e, em discurso, deu prazo de 60 dias para que o quadro de pessoal sofra redução de 20% a 25%, com a demissão de 211.846 servidores e a colocação de 142.346 em disponibilidade. De acordo com o dossiê apresentado na reunião pelo secretário da Administração, João Santana, o governo federal tem 1 milhão 579 mil funcionários e precisa fazer redução de 354.192 para que se cumpra a meta de economizar no orçamento da União o equivalente a US$5,25 bilhões. Ao anunciar o corte no funcionalismo, Collor disse que a venda de mansões, apartamentos funcionais e veículos, a extinção de órgãos públicos e a redução de pessoal representam uma economia global, para este ano, de Cr$43 bilhões. Comentou que esse dinheiro permitiria contratar 150 mil professores ou 88 mil médicos, por um ano. Até agora foram demitidos ou colocados em disponibilidade 15 mil funcionários das administrações direta e indireta. No balanço dos 56 dias de governo, Collor admitiu desajustes na produção e no emprego, que classificou como naturais numa fase de transição da hiperinflação para uma economia de preços estáveis. Disse, porém, que o combate à inflação só poderá ser consolidado com a reforma do Estado e incluiu entre as metas prioritárias da segunda fase a privatização de empresas estatais. O presidente informou que o processo de privatização será deflagrado no mês que vem (JB) (JC).