O virologista Robert Gallo, do Instituto Nacional do Câncer dos EUA, um dos primeiros cientistas que isolaram o vírus da AIDS ("HIV"), criticou ontem a linha de pesquisa de vacina desenvolvida por seu colega Jonas Salk. Segundo ele, ao usar o "HIV" inteiro, inativo ou morto, este tipo de pesquisa pode levar a erros laboratoriais, com risco de serem infectadas pessoas saudáveis. Mas ele se afirmou confiante, em bases "realistas", de que a imunização contra a doença será possível até o ano 2000. Gallo foi o primeiro conferencista do 2o. Congresso da Associação Latino- americana de Imunologia, que começou ontem em São Paulo. Segundo ele, além da vacina que julga dever ser elaborada a partir de pedaços das proteínas que compõem o vírus, outra perspectiva de controle da doença é ocorrer uma adaptação do organismo humano ao "HIV". Ou seja, uma espécie de equilíbrio através de mecanismos biológicos que impediria a propagação descontrolada da doença. A terceira hipótese, segundo ele improvável, é de que as inúmeras variações e mutações do vírus levem a um estágio em que a doença se dissemine por outras vias, além das já conhecidas, como a sexual, as transfusões de sangue e as agulhas contaminadas (JB).