O mais recente relatório sobre mortalidade infantil do Ministério da Saúde aponta a morte de 18.860 menores no Brasil em 1985, atingidos pelos mais diversos tipos de violência. Desse total, 3.180 relacionam-se a homicídios e outros tipos de violência, como acidentes e afogamentos. Isolando-se os dados do Ministério da Saúde, chega-se a 2.895 assassinatos de meninos e meninas por armas de fogo e outros instrumentos. Esse relatório faz parte da revista "Extermínio de Crianças e Adolescentes no Brasil", publicada pelo CEAP (Centro de Articulação de População Marginalizada). A revista ainda utiliza estatísticas sobre extermínio de menores do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), Comissão de Investigação da ONU (Organização das Nações Unidas), Assembléia Nacional de Meninos e Meninas de Rua e GAJOP (Gabinete de Assessoria Jurídica à Organização Popular). De acordo com a técnica em estatística do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), Maria das Graças Nascimento, que faz a tabulação dos dados para a revista, o relatório do Ministério da Saúde tem o mesmo perfil das denúncias das entidades de defesa da criança. Em geral, de acordo com os dados federais, a maioria das vítimas pertence a faixa de 15 a 19 anos e são do sexo masculino. A técnica do IBGE se deteve na análise do relatório do IBASE sobre o assassinato de 1.397 menores (fonte de Institutos Médicos Legais) e 891 (fonte do noticiário de jornal), no período de 1984/1989, abrangendo 16 estados. Segundo ela, observa-se nos números do IBASE um crescimento de matança de menores da ordem de 157% (em valores absolutos para os dados colhidos nos IMLs) e de 21% para as notícias de jornal. As capitais de estados com grandes aglomerações detém 26% dos registros de mortes produzidos por causas externas. Deste, cerca de 36% correspondem a categoria de homicídio e outras violências, com 1.744 casos. Os Municípios do Rio de Janeiro e São Paulo detêm as maiores participações nas mortes causadas por homicídio e outras formas violentas. Comparando-se estes números com os totais de ocorrências de causas externas, verifica-se que o Rio de Janeiro (55%), São Paulo (44%) e Porto Alegre (39%) registram os mais altos índices de homicídios e outras formas de violência (O Dia).