As crianças desnutridas de hoje, que serão muitos dos trabalhadores
29769 brasileiros do ano 2000 e das primeiras décadas do século 21, vivem um
29769 problema futuro ainda imprevisível: quando fazem um esforço físico mais
29769 prolongado, o ritmo de seu batimento cardíaco é 12% maior que o das
29769 crianças mais bem nutridas, submetidas à mesma carga de exercícios
29769 físicos. Isso significa que, para uma idêntica frequência cardíaca, a
29769 criança com deficiência de proteínas não tem a mesma capacidade de
29769 trabalho que a mais nutrida. Essa é uma das principais conclusões de um estudo feito pelo pesquisador Luiz Antônio dos Anjos, do Centro de Estudos da Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana, da FIOCRUZ (Fundação Oswaldo Cruz), com 113 crianças de baixa renda em Nilópolis, Baixada Fluminense. Segundo a pesquisa, a um ritmo cardíaco de 170 batidas por minuto-- considerado internacionalmente como padrão--, as crianças normais chegam a 72,4% do esforço físico máximo que podem exercer, enquanto as mais desnutridas ficam em apenas 57,3%. A rapidez das batidas do coração é maior nos desnutridos porque, devido à falta de proteínas, a capacidade de transporte de oxigênio pelo sangue diminui, sendo necessária uma compensação, que é feita pela pulsação sanguínea mais frequente (JB).