A secretária estadual de Saúde do Rio de Janeiro, Maria Manuela dos Santos, afirmou ontem que há "preconceito por trás da alegação do alto custo", na resistência da Sul América Seguros em pagar o tratamento de AIDS do produtor teatral Edgar Gurgel Aranha, mesmo após liminar favorável ao paciente concedida pela Justiça. "Essas seguradoras viraram um verdadeiro engano para os pacientes, que pensam que podem contar com elas em caso de uma doença grave", disse. Segundo ela, "os doentes gastam duplamente, com a Previdência Social e com planos de saúde paralelos, mas raramente as seguradoras cobrem o que se espera". O juiz Luiz Felipe Hadad criará um fato da maior importância para a
29679 Justiça Brasileira. ""Estaremos dando um exemplo para o mundo"", comentou o sociólogo Herbert de Souza, presidente da ABIA (Associação Brasileira Interdisciplinar de AIDS) e secretário-executivo do IBASE (Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas), sobre o caso. Segundo ele, a liminar que já foi concedida-- em que todas as despesas serão pagas
29679 pela Sul América-- põe a seguradora no seu devido lugar. ""Se não tem competência para assumir riscos, que não se estabeleça". Ele se disse escandalizado com a alegação da seguradora de que o contrato assinado pelo produtor não cobre tratamento de doenças infecto-contagiosas. "A própria justificativa da Sul América é ilegal", questionou. "É evidente que a assinatura do Edgar é legal, o que é ilegal é o contrato". "Como um seguro de saúde ou de vida pode diferir, por exemplo, o ataque cardíaco do vírus da AIDS? É que as seguradoras detestam correr riscos", afirmou Herbert de Souza (JB).