Um documento elaborado pelo IBRADES (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento), órgão vinculado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), com sede no Rio de Janeiro, aponta para os riscos da recessão e do desemprego no país em razão das medidas econômicas do Plano Collor, mas ressalta os pontos positivos na ação do novo governo ao se adotar medidas duras para o combate à inflação. O documento redigido pelo padre jesuíta e sociólogo Francisco Ivern, foi analisado ontem pelos 273 bispos que participam da 28a. Assembléia Geral da CNBB, em Itaici, no Município de Indaiatuba (SP). Dois bispos da linha "progressista" da Igreja, dom Benedito Ulhoa Vieira, arcebispo de Uberaba (MG), e dom Adriano Hypólito, de Nova Iguaçu (RJ), se apressaram ontem em explicar que a Igreja "não é contra e nem a favor do governo Collor". Eles defenderam a tese de que a Igreja deve manter um distanciamento e fazer uma "análise crítica" do novo governo. A mesma posição foi adotada por dom Jaime Chenello, bispo de Pelotas (RS), membro da Comissão Episcopal de Pastoral da CNBB e de linha "moderada" (FSP).