O ministro da Agricultura e Reforma Agrária, Antônio Cabrera, anunciou dia 30, a criação do Programa de Pesquisa para o Desenvolvimento Agrícola das Áreas Inundáveis da Amazônia, com participação de duas mil universidades americanas coordenadas pela Universidade de Pittsburgh. Os recursos para o projeto serão obtidos através da conversão de US$1 milhão de títulos da dívida externa brasileira, comprados pelas universidades e doados ao governo brasileiro. O Banco Central, segundo o ministro, já autorizou o processo de conversão da dívida. A exigência das universidades é que o pagamento que o governo brasileiro teria de fazer aos bancos credores seja investido no projeto, através da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA). Não há entrada de dinheiro novo, mas a transformação da dívida brasileira de US$1 milhão em investimento na Amazônia. A intenção do governo Collor, de acordo com Cabrera, é converter US$50 milhões em diversos programas de prevenção de queimadas, conservação de solos, modernização do Ministério da Agricultura e outros projetos agropecuários. Segundo a EMBRAPA, os cientistas americanos e brasileiros vão pesquisar uma área de 250 mil quilômetros quadrados habitada por cerca de 1 milhão de ribeirinhos, nos Municípios do Baixo e Médio Amazonas e Alto Tocantins. Pesquisa, que deve durar um ano, estimulará a produção de arroz, milho, búfalos e outros produtos, ainda a serem definidos. O projeto estava em andamento há um ano e meio, mas foi interrompido por falta de recursos do governo brasileiro. Até agora, a EMBRAPA já investiu o equivalente a US$500 milhões no projeto. A intenção do governo, segundo o ministro, não é abrir uma nova fronteira agrícola e sim aproveitar uma área que tem um grande potencial agropecuário e que não precisa ser desmatada ou abrir queimadas para ser utilizada. As universidades que comprarem títulos no valor de US$1 milhão da dívida brasileira vão se associar ao governo brasileiro pelo valor de face do título da dívida, não importando o deságio da negociação com o banco credor. Depois desta fase, as universidades vão abrir uma conta conjunta no Banco Central com a EMBRAPA para que os recursos comecem a ser destinados ao projeto (JC).