AS DEMISSÕES NA CONSTRUÇÃO CIVIL

Um levantamento parcial junto a nove sindicatos de trabalhadores da Grande São Paulo, dos setores metalúrgico, químico, farmacêutico, bancário e têxtil mostra que houve 26,2 mil demissões nesses segmentos após a adoção do Plano Collor. Nesse mercado, cerca de 40,5 mil trabalhadores tiveram seus salários e jornada de trabalho reduzidos. Computando números de outras regiões do país, o setor da construção civil foi o que mais demitiu. No Rio Grande do Sul, empresas do setor da construção civil demitiram 15 mil operários, contra 40 mil no Paraná e mais 4,1 mil em Santa Catarina. Sindicatos de trabalhadores desse setor no Maranhão registraram 20 mil dispensas. Em Pernambuco, 10 mil trabalhadores na construção civil foram demitidos após a decretação do Plano Collor. Na região de Campinas (SP), 8 mil demissões foram computadas pelo sindicato local. O presidente do Sindicato da Construção de Grandes Estruturas, Armando Queiroz Telles Coelho, contesta o número. Segundo ele, sua entidade registrou 900 demissões e mais 2 mil no setor de sub- empreiteiras. Ainda no Estado de São Paulo, 900 demissões na construção civil foram contabilizadas em Santos. Em Campinas, o sindicato da categoria afirmou que a indústria química dispensou 2,2 mil trabalhadores após a adoção do Plano Collor. As indústrias metalúrgicas daquela região demitiram 1,2 mil operários nas últimas semanas, segundo o sindicato que abrange oito cidades vizinhas. Em Curitiba, cerca de 500 operários do setor metalúrgico também perderam os empregos. Líderes sindicais de São Paulo disseram ontem que a efetivação de acordo para redução de jornada e salários pode conter demissões em massa. O receio de alguns é com o término do período de licença remunerada em várias empresas, a partir do início de maio, comece a haver aumento nas dispensas de trabalhadores. João Avamileno, presidente do sindicato dos metalúrgicos de Santo André, disse que acordos de redução de salários têm de ser engolidos (FSP).