O reajuste salarial necessário no dia 1o. de maio para repor as perdas provocadas pela inflação zero de abril varia entre 122% e 177%, conforme a data-base, segundo estudos do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos). Os cálculos do governo, de meta de inflação e reajuste salarial zero, foram feitos pela variação dos preços da última semana de março comparada com a última semana de abril. Os do DIEESE, que mediu a inflação de abril em 24%, foram feitos pela média dos preços de 1o. a 11 de abril com os 31 dias de março, levando em conta os aumentos das tarifas públicas, aluguéis, transportes, pão e leite, que não foram contabilizados pelo governo. Segundo o DIEESE, quem mais perde com a inflação zero e o IPC expurgado de março, de 84,32%, são os trabalhadores com data-base em abril, junho, julho e agosto. Os que têm data-base em abril perderam 54,59% do poder de compra no mês passado. Com o reajuste zero, o poder de compra cai mais 63,38%. Para repor as perdas, quem tem data-base em abril precisaria receber um reajuste de 173,07% em maio. Essas categorias tiveram mais uma desvantagem: a negociação do dissídio foi feita sob o impacto das medidas econômicas, o que levou acordos provisórios. O técnico do DIEESE, Cássio Calveti, diz que, mesmo medindo a inflação somente nos 11 primeiros dias de abril, o índice não dá zero e sim cerca de 4%. O poder aquisitivo dos salários em geral, quando comparados com a variação do Índice do Custo de Vida medido pelo DIEESE, está reduzido, portanto, a aproximadamente 50% daquele que foi fixado na última negociação (JB).