PLANO AUMENTA ROMBO DO SFH EM CR$402 BILHÕES

O Plano Collor acrescentou ao rombo do Sistema Financeiro da Habitação (SFH) Cr$402 bilhões, informou ontem o presidente da Associação Brasileira das Empresas de Crédito Imobiliário e Poupança (ABECIP), Luís Felipe Soares Batista. O saldo devedor residual do total dos contratos do SFH cresceu de Cr$900 bilhões para Cr$1,3 trilhão (o equivalente a cerca de US$25 bilhões, pela taxa do câmbio livre, ontem). Os saldos devedores dos contratos incorporaram a inflação oficial de março, de 84,32%, mas as prestações pagas pelos mutuários-- dentro do regime de equivalência salarial-- não receberam correção pelo mesmo índice, já que os salários não foram ajustados pela inflação do mês passado-- o descompasso provocou o déficit extra para o SFH. A previsão de rombo, divulgado pelo presidente da ABECIP, é potencial. O déficit começará a se manifestar concretamente a partir de 1995, quando os contratos reajustados com base na equivalência salarial começarão a vencer. Estes contratos representam mais de 90% dos financimantos concedidos no âmbito do SFH. A partir de 1995, o saldo devedor residual deverá ser coberto pelos agentes financeiros do sistema habitacional e pelo Fundo de Compensação de Variações Salariais (FCVS). O fundo é formado por contribuições mensais dos mutuários, incorporadas às duas prestações. Pela legislação atual, o FCVS arcaria com Cr$940 bilhões do rombo potencial, enquanto os agentes se responsabilizariam pelos restantes Cr$360 bilhões. O que preocupa a ABECIP e os técnicos do governo é a possibilidade, concreta, de não existirem recursos suficientes no FCVS, a partir de 1995, para a cobertura do déficit. Nos últimos anos, a preocupação cresceu logo após a divulgação de planos de estabilização econômica, que sempre aumentaram o saldo devedor residual potencial do SFH (JC).