No último dia 24, fora do horário de expediente e oito dias depois de sua extinção, a INTERBRÁS fechou dois contratos com o governo do Iraque. Na presença do secretário nacional de Energia, Luís Oswaldo Norris Aranha, a empresa, eliminada pela medida provisória no. 151, assinou a renovação de exportação de 144 mil toneladas de açúcar, em três meses, e um novo contrato para venda de 10 mil toneladas de carne com a State Company Foodstuff Trading (SCFT), agência estatal encarregada do comércio externo iraquiano. São contratos póstumos. Os dois documentos, embora assinados no dia 24 de março, registram datas anteriores. O contrato do açúcar é datado de 12 de março, uma semana antes da chegada de uma missão comercial iraquiana ao Brasil. O da carne leva também uma data anterior à posse do novo governo brasileiro. A artimanha foi montada com o conhecimento e autorização do ministro da Infra-estrutura, Ozires Silva, uma vez que o Iraque exigia a participação da extinta INTERBRÁS na troca de mercadorias por parte dos 200 mil barris/dia de petróleo que fornece ao Brasil. Resultado: o mesmo governo que decreta a inutilidade da estatal reconhece que ela é indispensável a seus interesses imediatos. A assinatura dos contratos no dia 24 foi confirmada ontem pelo conselheiro comercial da Embaixada do Iraque, Tarik Al-Jibouri. Mas, indagado sobre a data registrada nos documentos, o conselheiro foi lacônico: "A data não posso falar". Já a diretoria da INTERBRÁS, oficialmente, não admite a assinatura de contratos pós-datados (JB).