A invasão do prédio da empresa Folha da Manhã, que edita o jornal "Folha de São Paulo", no último dia 23, por agentes da Polícia Federal e fiscais da Receita Federal foi planejada na véspera, com autorização do presidente da República, Fernando Collor de Mello. Também tiveram conhecimento prévio da operação os ministros Bernardo Cabral (Justiça) e Zélia Cardoso de Mello (Economia). Ambos foram informados pelo delegado Romeu tuma, que acumula as chefias da Polícia Federal e da Receita Federal. Na montagem da operação, ficou acertado que a Inspeção" na Folha deveria ser apresentada como uma "blitz de rotina", motivada por uma denúncia. Apesar de ter autorizado a ação da PF, Collor negaria o fato de ter sido informado previamente. O pretexto usado para justificar a invasão da empresa foi a "denúncia" de troca de faturas emitidas em cruzados novos por faturas em cruzeiro. Como qualquer empresa de comunicação, a "Folha" cobrou pelos serviços prestados às agências de publicidade até 15 de março através de faturas expressas em cruzados novos. Após a edição do Plano Collor, os débitos passaram a ser cobrados em cruzeiros. A medida provisória 168, alterada pela medida provisória 172, permitiu que dívidas relativas à prestação de serviços fossem pagas em cruzeiros. Por esse motivo, todas as entidades representativas dos meios de comunicação emitiram comunicado, no dia 20, informando às agências e anunciantes que as faturas em cruzados novos seriam cobradas em cruzeiros. O procedimento está amparado no texto da cartilha do Ministério da Economia, que a ministra Zélia mandou recolher no último dia 23. Durante a operação de invasão, o vice-diretor Pedro Pinciroli Jr. e o diretor financeiro, Renato Castanhari, foram "convidados" a prestar depoimento na Polícia Federal (FSP).