A CPT (Comissão Pastoral da Terra) denunciou ontem, em nota oficial, o julgamento à revelia e prisão de sete lavradores no Maranhão. José Antônio Silva, Raimundo Nonato Pinto, Daniel Trindade, João Santos Ribeiro, Pedro Almeida, Deusimar Siva e Apolônia Trindade estão incomunicáveis na delegacia de Riachão desde 21 de fevereiro, condenados a três meses e 15 dias de prisão. Eles foram acusados de ocupar a fazenda Canto do Buriti, onde vivem 300 famílias desde 1942. Há quatro anos, apesar do abandono da área, Felipe José dos Santos, Elberth Leitão Santos e Tizha Bento Leitão entraram na Justiça com pedido de reintegração de posse, alegando que a terra lhes pertencia. O processo foi aberto e a primeira audiência marcada, sem que os lavradores fossem avisados. O julgamento foi feito a revelia pelo juiz José Figueiredo dos Anjos, que condenou os colonos a três meses e 15 dias de prisão e depois transformou a pena na obrigatoriedade de que eles se apresentassem mensalmente no cartório local. Desavisados, os lavradores não compareceram ao cartório na data marcada e, segundo a CPT, terminaram presos e algemados quando trabalhavam em suas roças (JB).