O governo admitiu aos dirigentes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) que as medidas econômicas do Plano Collor trarão perdas salariais, pois a inflação de março-- estimada em 85%-- não será incorporada aos salários em abril. Mas não aceita recompor a perda, alegando que a medida implodiria o plano. O presidente da entidade, Jair Meneghelli, disse, após reunir-se com a ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, e com o ministro do Trabalho e Previdência Social, Antonio Rogério Magri, que ainda não é possível calcular a perda de salário real para o trabalhador, pois ainda não foi calculado o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) de março. A principal reivindicação da CUT ao governo foi a concessão da estabilidade no emprego por seis meses para todos os trabalhadores. Isso inclui os funcionários públicos e os das estatais, cujos órgãos serão extintos ou privatizados. Na avaliação dos sindicalistas, mais importante que garantir o salário real é a garantia de emprego, num momento em que a recessão é iminente (FSP).