EMPRESÁRIOS CONSIDERAM O PLANO COLLOR RECESSIVO

Os empresários consideram o Plano Collor recessivo, mas são unânimes em admitir a necessidade de medidas "drásticas" para controlar o processo inflacionário e o crescimento da economia. A seguir algumas opiniões dos empresários: Wolfgang Sauer, ex-presidente da Autolatina-- "As medidas são positivas e necessárias. Temos que evitar recessão e demissões"; José Alencar Gomes da Silva, presidente da FIEMG (Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais)-- "O plano cria dificuldades para o investimento. Se a idéia era penalizar os mais ricos, vai acabar acertando no operário". Paulo Setúbal Neto, vice-presidente da Duratex S/A-- "O plano é recessivo. De maneira geral, deve haver demissões, pois as empresas não têm dinheiro". Carlos Eduardo Uchôa Fagundes, diretor da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo)-- "É prematura a hipótese de demissões em massa, as empresas ficarão em compasso de espera nos próximos 15 dias. Ninguém vai sair demitindo aloucadamente". Abílio Diniz, vice-presidente do Grupo Pão de Açúcar-- "Uma das principais características da reforma econômica do governo Collor é que, ao contrário dos outros planos, não houve a preocupação de ser populista. As medidas são impopulares, mas não populistas. São drásticas, porém a gente sabia que eram necessárias" (FSP) (JB).