Evitar a hiperinflação. Esse é o objetivo do programa que Zélia Cardoso de Mello, começou a executar a partir de ontem, para promover o ajuste das contas do governo e assegurar a estabilidade da economia, com uma taxa de inflação mensal na casa dos 10%. Zélia afirmou que as medidas têm um endereço certo: os grandes especuladores, que nos planos econômicos anteriores conseguiram proteger suas aplicações. "Não há nenhuma penalização aos 60 milhões de brasileiros que ganham menos de cinco salários-mínimos e aos 90% da populaç~o que têm cadernetas de poupança com saldo inferior a NCz$50 mil". Segundo a ministra, "a racionalização das finanças públicas, uma das vertentes do novo programa, contribuirá decisivamente para o ajuste das contas do governo". Ela informou que, sem o ajuste fiscal (contenção de despesa e aumento de receita), o déficit público deste ano chegaria a 8% do PIB (Produto Interno Bruto), ou US$30,4 bilhões. As medidas fiscais visam a proporcionar um ganho de 10% do PIB (US$38 bilhões), garantindo ao presidente Fernando Collor de Mello no primeiro ano do mandato um superávit de 2% do PIB, cerca de US$7,6 bilhões. De acordo com as previsões de Zélia, a reforma administrativa (extinção de órgãos, corte das mordomias e demissões) garantirão uma economia de 0,5% do PIB, equivalente a US$1,9 bilhão. A reforma patrimonial (venda de imóveis, por exemplo) renderá até US$9,5 bilhões, um ganho estimado entre 2% a 2,5% do PIB (JB).