Quando assumir o governo, no próximo dia 15, o presidente eleito, Fernando Collor de Mello, herdará a seguinte máquina administrativa: são 598.455 funcionários de empresas estatais e 694.764 servidores federais, dos quais apenas 119 mil não têm estabilidade no emprego. Os funcionários da administração federal cresceram 7,3% no governo Sarney, o que corresponde a mais 5.018 contratados desde 1984, número razoável para uma economia que cresceu 25% no mesmo período. Mas a distorção é grande: Os gastos com pessoal representam 3,9% do PIB (Produto Interno Bruto) do país, nove vezes mais que os dos investimentos. O número de funcionários das empresas estatais, por exemplo, cresceu apenas 1,8%, de 1980 até agora, o que equivale a um acréscimo de 10.616 funcionários, sendo que 6.102 contratados no governo Sarney. Há distorções pequenas e grandes. Na Presidência da República, por exemplo, trabalham mais de três mil funcionários. A maior distorção, no entanto, está na área educacional, as universidades e instituições federais ligadas ao ensino superior desandaram a contratar e, atualmente, abrigam 160 mil funcionários, equivalentes a 22% de todos os servidores existentes no país. Isso quer dizer que existe um funcionário para cada quatro alunos, relação inimaginável em qualquer país organizado. Mas os maiores salários da República não estão nas empresas estatais e, sim, no Poder Legislativo. O maior salário do país é o do secretário- geral da Mesa Diretora do Senando Federal, Nerione Nunes Cardoso que receberá este mês NCz$1,252 milhão. Mas os "marajás" do Senado não estão apenas nos gabinetes: um simples assistente, que tem tarefas como carregar documentos ou até mesmo servir cafezinho, pode receber até NCz$120 mil mensais. A folha de pagamento dos 3.115 funcionários do Senado, em março, será de NCz$649 milhões (O Globo).