MARINHA PROJETA USINA NUCLEAR COM TECNOLOGIA NACIONAL

A primeira usina nuclear brasileira, construída com tecnologia inteiramente nacional, está sendo projetada pela Marinha e pelo Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (IPEN), um dos principais centros de pesquisa da Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN). A usina poderá entrar em operação dentro de oito a 10 anos e, na avaliação dos cientistas do Programa Nuclear Brasileiro, adota uma tendência tecnológica que está, no mínimo, 20 anos à frente de Angra 1, 2 e 3-- consideradas modelos ultrapassados. Segundo o contra-almirante Othon Pinheiro da Silva, presidente da Coordenadoria de Projetos Especiais da Marinha (Copesp)-- o braço da instituição na área nuclear--, o projeto da usina nuclear brasileira se baseia numa concepção que está sendo simultaneamente desenvolvida por vários países que domina a tecnologia nuclear, como EUA, Canadá, Japão, Inglaterra e França, e garantirá ao Brasil acesso ao seleto clube de fabricantes de usinas atômicas. A principal inovação embutida no projeto de usina atômica é o sistema de cluster-- ou parque de usinas--, que prevê a construção das usinas em módulos, cada um contendo um reator e um sistema completo de geração de energia. Os módulos podem ser alinhados paralelamente-- num total de até cinco-- à medida que aumenta a demanda energética da região na qual a central estiver instalada. Na prática, o sistema torna possível a construção de instalações menores que as de Angra e com uma geração de energia mais racional e econômica (O Globo).