O futuro ministro da Agricultura, Joaquim Roriz, vai iniciar sua gestão com um orçamento apertado para o financiamento da agricultura. De quebra, Joaquim Roriz herda uma produção de grãos em declínio e o desafio de recuperar as áreas de plantio como cana-de-açúcar, medida indispensável para se evitar o colapso do PROÁLCOOL. A estimativa de uma safra de 68,5 milhões de grãos para este ano, 3,1 milhões menor que a de 1989, está diretamente relacionada com a diminuição dos recursos creditícios verificada em novembro do ano passado, por ocasião do plantio, época em que foi liberado o crédito para custeio. Para este ano, o corte no financiamento agrícola foi ainda maior. O Orçamento Geral da União (OGU) aprovado para 1990 reduziu em 26,43%, em comparação ao do exercício anterior, as verbas destinadas ao financiamento agrícola. Esses recursos estão previstos nas operações oficiais de crédito. As consequências do corte vão ser sentidas de imediato pelo novo ministro. É que a posse do presidente eleito, Fernando Collor de Mello, coincide com o auge da colheita da safra de verão, responsável por 70% da produção de grãos do país (FSP).