A participação das instituições financeiras no Produto Interno Bruto (PIB) do país pulou de 6,4% em 1970, para 14,5% em 1988. No ano passado, conforme adiantou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), esta proporção deve ter-se ampliado para algo próximo dos 15%. Isso porque a política de juros reais foi a mais intensa e a inflação mais elevada beirando os 2.000% ao ano. A indústria ampliou moderadamente sua participação nestes 18 anos, passando de 38,3% para 43,5% e a agricultura teve um recuo de 12,4% em 1970 para 8,7% em 1988. A taxa de investimentos caiu de 20,6% em 1970 para 17,3% em 1988. Os dados do IBGE mostram, na análise de economistas do instituto e da Fundação Getúlio Vargas (FGV), que o setor financeiro foi um dos maiores beneficiários da aceleração do custo de vida no período levantado, na medida em que os juros cobrados por seu empréstimos e serviços sempre se situaram acima da variação média dos preços (juros mais correção monetária). O descompasso entre a participação das instituições financeiras e os setores produtivos mostra, conforme destaca, Salomão Quadros, da FGV, que a diferença entre o juro pago e o recebido foi apropriada pelos bancos e não gerou aumento dos investimentos nem da poupança. Os dados do IBGE revelam, como analisa o economista do instituto, Antonio Braz, não estar o setor financeiro cumprindo seu principal papel econômico: financiar o setor produtivo. A diferença entre o juro pago e o recebido pelos bancos não gerou aumento dos investimentos no Brasil. Essa situação anômala-- sustentada pelas altas taxas de inflação-- é
28405 prejudicial a toda a economia, considera Braz, ""na medida em que as instituições financeiras se apropriam da renda gerada por outros setores e não transferem tais recursos para investimentos" (GM).