O líder comunista Luiz Carlos Prestes, de 92 anos, internado há seis dias no Hospital da Beneficiência Portuguesa do Rio de Janeiro, e em coma desde anteontem, morreu nesta madrugada. Ele fora acometido de leucemia, insuficiência respiratória, cardíaca e renal, além de septicemia. Seu corpo será velado na Assembléia Legislativa do estado e enterrado no próximo dia nove. Nos seus 92 anos de vida, 60 foram dedicados à luta política e às atividades revolucionárias. Destes, nove anos ele viveu incomunicável num xadrez da Polícia Especial do Rio de Janeiro, depois de ter perdido a companheira Olga Benário-- extraditada para a Alemanha, onde morreu no campo de concentração-- durante a Intentona Comunista de 1935. Esteve exilado no Uruguai e morou em Moscou (URSS); foi o líder da chamada Coluna Prestes, que, desde o final de 1924 ao início de 1927, percorreu o país do sul ao norte, fazendo da guerrilha a sua tática para derrubar o governo de Artur Bernardes, até depor as suas armas na Bolívia. Com a anistia política de 1979, Prestes voltou ao Brasil para assumir, durante oito meses o cargo que exerceu durante 37 anos: o de secretário-geral do PCB (Partido Comunista Brasileiro) (O Globo).