O ministro da Fazenda, Maílson da Nóbrega, admitiu ontem, pela primeira vez, que o déficit público de 1989 será entre 5% e 7% do PIB-- ou seja, mais do que o triplo, como frisou, da meta estabelecida pelo governo para o ano. "Essa é uma das grandes derrotas que levo para casa", lamentou o ministro em entrevista. "Mas é uma derrota que divido com o Congresso, autor de nova Constituição e responsável pela votação do Plano Verão", ressalvou. Ao assumir o Ministério da Fazenda, em janeiro de 1988, Maílson discutiu o controle do déficit, amplamente, com seu colega do Planejamento, João Batista de Abreu, e depois, juntos, anunciaram as metas: 4% do PIB em 1988, 2% em 89 e zero em 1990. Todas essas metas estouraram e, ao passar a faixa para seu sucessor Fernando Collor de Mello, o presidente José Sarney o estará premiando também com um déficit público de mais de 6% do PIB em 89. Os dados oficiais estão para ser fechados na área econômica (JC).