A futura ministra da Economia, Zélia Cardoso de Mello, disse ontem que o novo governo vai "preservar a capacidade aquisitiva da classe trabalhadora". Em entrevista após o anúncio oficial de sua indicação para a Pasta, ela afirmou que qualquer mudança na política salarial será negociada com os trabalhadores. Zélia disse que seu plano de ajuste inclui a desindexação da economia, mas que não prevê um "choque econômico", nem o congelamento de preços e salários e nem o calote na dívida interna. Zélia afirmou ainda que mantém a proposta de reduzir pela metade os pagamentos dos juros da dívida externa e a renegociação com o FMI (Fundo Monetário Internacional). Segundo ela, o "overnight" continuará como um importante mecanismo de financiamento, e que a inflação será reduzida a curto prazo a partir das reformas fiscal, administrativa e patrimonial. A futura ministra confirmou o enxugamento da máquina administrativa federal com demissões de funcionários, fim de gratificações e do duplo emprego. Ela mencionou três critérios básicos para a privatização de empresas estatais. Em primeiro lugar, o Estado deve se retirar das áreas em que a sua presença seja considerada dispensável. Em segundo, a iniciativa privada deve ser incentivada a ocupar os espaços da economia onde o Estado não tem condições de investir (principalmente transporte, comunicação e energia elétrica). Em terceiro, a privatização tem de ser feita com a pulverização do capital da empresa, dando chance para que os trabalhadores participem da compra da estatal (FSP) (O ESP) (GM).