COLLOR TERÁ NCZ$100 BILHÕES EM CAIXA

O primeiro mês da administração Fernando Collor de Mello não será caracterizado pela falta de dinheiro em caixa: quando assumir o governo em 15 de março, encontrará disponíveis mais de NCz$100 bilhões. A informação foi dada ontem pelo subsecretário do Tesouro, Simão Cirineu, quando anunciou que em janeiro o caixa do Tesouro registrou um déficit de NCz$13,9 bilhões. A estratégia do Ministério da Fazenda é a de garantir uma transição sem traumas. Ou seja, sem problemas de caixa e com uma boa administração do perfil da dívida interna. Em fevereiro, o Tesouro Nacional colocou no mercado, através dos leilões de LFTs, um volume de títulos inferiores ao necessário à "rolagem" da dívida. Isso significa que houve resgate de títulos e não se aumentou a dívida. A programação para março não é de resgate, mas de uma emissão de títulos suficiente apenas à "rolagem" dos que vencem ao longo do próximo mês. Segundo os dados divulgados ontem pela Secretaria do Tesouro Nacional (STN), o estoque da dívida interna ultrapassou a casa dos NCz$2,5 trilhões no mês passado. A política de juros reais praticada ao longo de janeiro provocou um gasto ao Tesouro Nacional de NCz$93,8 bilhões, para poder remunerar os aplicadores do "overnight" com um ganho acima da inflação medida pelo IPC, de 7,6%. A execução financeira de janeiro foi atípica. O déficit de NCz$13 bilhões poderia ser muito maior não fosse a transferência dos NCz$54 bilhões de lucro do Banco Central aos cofres do Tesouro e a ausência do Orçamento. Sem a autorização para gastar, a Secretaria do Tesouro Nacional não pôde liberar a verba, por exemplo, para as compras de trigo ou mesmo para concretizar operações típicas de custeio agrícola. No mês passado, o governo gastou NCz$21,9 bilhões para pagar os salários da administração direta (ministério, fundações e autarquias). Em fevereiro, a União prevê gastos de NCz$36,5 bilhões com a folha do funcionalismo público. Em janeiro, o governo federal repassou para estados e municípios NCz$10,8 bilhões, referentes a participações nas arrecadações dos Impostos de Renda (IR) e sobre Produtos Industrializados (IPI) (JC).