A POLÍTICA EXTERNA NO GOVERNO COLLOR

O presidente eleito Fernando Collor de Mello pretende mudar a política externa do país durante o seu governo. Está nos seus planos promover mudanças profundas na orientação e no organograma do Ministério das Relações Exteriores. Uma delas será o fechamento e a redução da estrutura de embaixadas brasileiras na África. Sobrevivem apenas as embaixadas nos países de língua portuguesa e nos países de maior expressão regional. Caberá a elas a tarefa de representar os interesses do Brasil entre os países vizinhos. A seguir, outras mudanças estudadas por Collor: América Latina-- será o palco privilegiado da ação diplomática brasileira. É com os países vizinhos que o Brasil terá as mais imediatas e importantes relações comerciais; EUA-- restaurar a credibilidade e a confiança no relacionamento bilateral; Oriente Médio-- o Brasil elege seus parceiros de forma seletiva, obedecendo a critérios de natureza comercial e não ideológica. Entra em fase de revisão o voto brasileiro que considerou o sionismo uma forma de racismo, na ONU (Organização das Nações Unidas); Terceiro Mundo-- o país deixa de ser "porta-voz" dos países do Terceiro Mundo para disputar um lugar entre as 10 maiores economias do mundo ocidental; Energia Nuclear-- cresce a convicção de que o país nunca lucrou nenhum dividendo por se recusar a permitir um maior controle internacional sobre suas instalações nucleares. "Nada, além da bravata militarista que predominou no passado, impede que o Brasil assine o Tratado de Não Proliferação Nuclear, que obriga os países membros a não produzir artefatos nucleares para fins bélicos". Com esse diagnóstico concordam os futuros ministros militares de Collor (O ESP).