A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) criticou ontem a falta de contato entre o presidente eleito, Fernando Collor de Mello, e seus assessores. O secretário-geral da CNBB, dom Antônio Celso de Queiroz, acha que a sociedade deveria estar mais envolvida nos debates com o novo governo. A presidência e a Comissão Episcopal de Pastoral da CNBB encerraram ontem, em Brasília, uma reunião de três dias, na qual discutiram, além da política, a questão dos índios Yanomanis. O presidente da CNBB, dom Luciano Mendes de Almeida, disse que a posição da Igreja é de expectativa em relação ao novo governo porque desconhece as medidas a serem tomadas pelo presidente eleito. O presidente da CNBB repudia o decreto do presidente José Sarney que cria duas áreas de garimpo dentro do território indígena dos Yanomanis, em Roraima. O presidente da CNBB propôs uma investigação sobre os brasileiros que têm conta no exterior. Ele fez a sugestão ao defender o bispo de Roraima, dom Aldo Mogiano, acusado de movimentar dinheiro em bancos no exterior. Dom Luciano afirmou que as acusações contra dom Aldo e missionários que atuam em defesa dos índios têm o objetivo de anular a resistência que fazem ao ingresso de empresas mineradoras no território indígena (FSP) (JC).